A meu entender, o texto Comunidades virtuais: construindo o conhecimento através da interação, das autoras Favero e Tarouco (2008), deixa bastante claro a sua posição em relação às estratégias que podem ser adotadas para potencializar a interação que ocorre entre participantes de ambientes virtuais de aprendizagem.
As autoras primeiramente discutem sobre a geração de conhecimento se dar justamente através da possibilidade de diálogo entre os participantes de AVA. Mas, diálogo entendido, na visão de Paulo Freire, como a possibilidade de construir conhecimentos e discussões que tragam para os sujeitos envolvidos, conteúdos que sejam significativos a sua aprendizagem e crescimento intelectual, e não como uma simples conversa que não transforma ou altera a individualidade de cada um, muito menos a relação que eles constroem a partir do momento que decidem partilhar junto o conhecimento. Deste modo, conforme afirma Vygotsky (1994) o ser humano constituí-se enquanto tal na sua relação com o outro social, na relação que ele estabelece com o mundo e com os instrumentos que nele encontram-se disponíveis para que haja compreensão da evolução do homem no meio social e cultural. Os indivíduos necessitam da presença de outros indivíduos para que possam evoluir em sua aprendizagem e tornarem-se seres cada vez mais complexos cognitivamente. Assim, acredita-se que o diálogo seja a fonte mais importante para que os indivíduos possam se relacionar e construir juntos as possibilidades de ampliar, modificar, reorganizar as suas aprendizagens e conhecimentos.
Sendo assim, as autoras definem que para que possa ocorrer o verdadeiro diálogo entre os participantes dos AVA (alunos, tutores e professores) todos necessitam estar engajados no processo de ensino-aprendizagem. Os alunos, por exemplo, tem de se sentirem seguros da presença de seus colegas, professores e tutores, eles têm a necessidade de se sentirem acolhidos em suas colaborações, de perceber que suas opiniões são devidamente respeitadas por todos e discutidas por estes quando de alguma forma provocam neles discordâncias. Esse processo faz com que diminua a sensação de solidão provocada pelo ensino à distância e faz com que haja um a aproximação entre os participantes que estão distantes em diferentes espaços/ tempo. Assim, o aluno anima-se a buscar, discutir, se aprofundar nos temas de estudo, construindo colaborativamente a sua aprendizagem em conjunto com os demais participantes.
Já aos professores e tutores fica a tarefa de se tornarem os mediadores do processo de ensino-aprendizagem dos alunos. Os professores/tutores têm de estarem atentos as colaborações dos alunos, buscando incentivá-los a progredir em sua aprendizagem, desafiá-los a desconstruir pré-conceitos e a pensar o conhecimento a partir de diferentes pontos de vista. Pensar em atividades que possam auxiliar os alunos a interagirem juntos em busca de construir colaborativamente o conhecimento. Necessitam saber quais são os conhecimentos prévios advindos dos alunos para que possam organizar as suas propostas pedagógicas, visando que eles progridam ao um nível de desenvolvimento superior em termos de complexidade cognitiva.
Finalizo desta forma, apresentando, a partir do trabalho das autoras, algumas estratégias que podem ser utilizadas visando potencializar a interação e colaboração dos participantes de AVA de forma a construir colaborativamente o conhecimento: a) deixar claro e objetivo a forma como se espera que os alunos se portem no AVA, bem como nas discussões; b) o professor/tutor incentivar os alunos a partir da sua presença em toda e qualquer tarefa a ser realizada, mediando e desafiando-os a progredir; c) os alunos participarem das discussões, buscando aprofundarem-se nas discussões e construir novos conhecimentos colaborativamente; d) propiciar o uso ferramentas em que todos os participantes possam colaborar com opiniões, participar nas postagens alheias, visando sentirem-se mais próximos e interligados na construção da aprendizagem, seja ela individual ou através da relação que constroem entre si; e) deixar claro quais são os objetivos, metas e processos avaliativos que deseja alcançar com tal atividade ou tarefa.
Referências:
FAVERO, R. V. M; TAROUCO, L. M. R. Comunidades virtuais: construindo o conhecimento através da interação. Disponível em: http://www.cinted.ufrgs.br/renote/jul2008/artigos/6f_rute.pdf Acessado em: 11 de maio de 2010.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Organizadores: Michael Cole. Tradutores: José Cipolla Neto, Luis Silveira Menna Barreto, Solange Castro Afeche. 5ªed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
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